Matéria sobre TCCs dos formandos em Comunicação - UNASP 2011

Em novembro de 2011, no alto dos meus poucos 21 anos de vida, apresentei meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Foi feita uma matéria sobre a semana das apresentações de TCCs das turmas de Comunicação Social do Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho Unasp-EC), tanto de Jornalismo, como de Publicidade.

Na ocasião, falei sobre como essa experiência, vivida ainda tão jovem, me mercou e concedeu um pouco mais de maturidade profissional antes de "cair" no mercado de trabalho.

Abaixo, confira o vídeo que mostra um pouco dos trabalhos dos formandos de 2011 do Unasp-EC.



Campanha divulga perigos de unir direção e bebida alcoólica

Matéria publicada originalmente em: https://noticias.adventistas.org/pt/campanha-divulga-perigos-de-unir-direcao-e-bebida-alcoolica/.

O dia 17 de setembro de 2011 foi um grande pesadelo para Rafael Baltresca. Naquele sábado, sua mãe, Miriam A. J. Baltresca (58 anos), e sua irmã, Bruna Baltresca (28 anos), foram vítimas de um acidente de trânsito. O motorista que conduzia o veículo que matou as duas estava alcoolizado e dirigia a uma velocidade superior a 140 km/h. O condutor se recusou a fazer o teste do bafômetro e, por isso, foi liberado, sem ao menos pagar fiança.

Dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 40 mil pessoas morrem anualmente no Brasil vítimas do trânsito, isso significa que são mais de 3.000 mortes por mês. Desses óbitos, 40% se devem à embriaguez ao volante. A bebida mata, e tem sido cada vez mais cruel.

Depois do acidente que tirou a vida de parte de sua família, a rotina de Rafael sofreu algumas alterações. “Cansado de ver tantas e tantas mortes, iniciei no dia 15 de outubro de 2011 a campanha Não Foi Acidente”, conta Rafael no site oficial da campanha. O objetivo: reunir assinaturas para um Projeto de Lei de iniciativa popular capaz de alterar a legislação de trânsito brasileira.O projeto pretende acabar com a infração administrativa (multa) para quem dirige embriagado e considerar esse ato ilícito penal (crime). Ou seja, o objetivo é colocar em vigor a política da tolerância zero para motoristas bêbados.

Algo já foi feito nesse sentido. No entanto, a lei sancionada no dia 21 de dezembro de 2012 pela presidente Dilma Roussef não abrange os aspectos defendidos pela campanha Não Foi Acidente, uma vez que foi mantido o nível permitido de alcoolemia de 6 dg/l de álcool no sangue ou de 0,3 mg/L no ar alveolar, além de não ter sido revogado o decreto do ex-presidente Lula que estabelece tolerância de 2 dg/l de de álcool no sangue.

A lei também não alterou a pena para motoristas imprudentes. Hoje, a legislação vigente prevê aos condutores alcoolizados que mataram no trânsito apenas a doação de cestas básicas, fiança ou prestação de serviços à comunidade como formas de pagamento pelos crimes. Desta forma, a lei continua estendendo a discussão entre juristas se o crime é culposo ou doloso, fazendo com que processo leve anos para ser concluído.

“Assim sendo, a utilização de vídeos, fotos ou testemunhas jamais poderá atestar o quanto de álcool há no sangue do condutor; esta implementação é completamente subjetiva, portanto, os processos desta natureza serão extintos por falta de provas objetivas”, explica em nota a equipe de coordenação da campanha.

Para obter uma lei de trânsito mais severa contra infratores no trânsito do Brasil, basta acessar o link http://www.naofoiacidente.com.br/blog/ e assinar a petição. Cerca de 820 mil brasileiros já aderiram ao movimento, aproximadamente 63% do necessário para ter direito a voz junto aos parlamentares do país.

Na página http://naofoiacidente.org/blog/por-quem/ existe o perfil de várias vítimas de bêbados ao volante. Os relatos são bem fortes e tocantes. Poderíamos usar o relato dessas pessoas para mostrar que a bebida não compensa. 

Vídeo que divulga a campanha na internet:


Desligar para preservar

Computador ligado sem uso é prejuízo para o Meio Ambiente


Um grupo de estudantes universitários quer convencer jovens a desligar o computador durante uma hora por dia com o objetivo de preservar o Meio Ambiente. A explicação é que os computadores que sustentam a rede de internet dependem de energia elétrica para funcionar. E essa energia, por sua vez, é obtida através da queima de carvão ou de outros combustíveis fósseis.


Sendo assim, a internet acaba sendo a responsável por cerca de 2% de todas as emissões de CO2 liberadas na atmosfera. Sem contar que os computadores consomem energia até quando estão em stand by – ligados, mas sem uso. Ou seja, para quem costuma se conectar ao Messenger, o programa de mensagens instantâneas, e deixá-lo de lado, saiba que 60% da eletricidade consumida pela Microsoft para manter seu MSN conectado é desperdiçada, já que as máquinas da empresa, lá nos Estados Unidos, ficam ligadas sem serem usadas.

A ideia dos estudantes, então, foi propor aos internautas, através de um blog e participação em várias redes sociais, desligar-se do computador por, pelo menos, uma hora durante do dia. “A nossa idéia para o futuro é criar um site onde possamos juntar todas as pessoas interessadas em um mundo mais sustentável porque assim nós conseguiremos uma interação maior entre elas”, explica o estudante de publicidade Jonhnes Carvalho, idealizador do projeto “Uma hora Sem Pc” (1h100Pc).

Como resultado do desejo de, sem ganhar dinheiro em troca, mobilizar pessoas a pensarem sustentavelmente, a campanha logo ganhou adeptos. Jonhnes conta como o escritor brasileiro Paulo Coelho, por exemplo, apoiou a iniciativa do grupo. “O mais legal foi o [recado via Twitter] do Paulo Coelho que, inclusive, entrou no blog e deixou um comentário agradecendo por uma postagem especial que fizemos sobre algumas frases dele”, comemora.

Segundo Jonhnes, mais de três mil pessoas já se cadastraram nas redes sociais onde o projeto está presente. Em 2008, inclusive, participantes da iniciativa penduraram computadores em janelas de um prédio para chamar a atenção sobre o problema de deixar o computador ligado sem que alguém o estivesse usando.

“Essa ação foi noticiada positivamente em mais de 20 blogs, sites e portais de notícias e também foi aprovada pelos portais ecológicos IBFlorestas, Inclusão Brasil e Eco legal”, conta o estudante. Indagado sobre a data de término do projeto 1h100Pc, ele não hesita: “Não tem. Porque o objetivo é que a ideia se espalhe pelos usuários. Queremos que as pessoas comprem a causa do respeito ao Meio Ambiente. Sendo assim, a campanha nunca vai deixar de existir”, conclui.



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Veículo: Globo Campinas - EPTV. Site Terra da Gente.


Data da publicação original: 15/11/2010.


Internauta sofre acidente e decide fazer campanha de doação pela web

No último dia 10 de agosto a especialista em mídias sociais, Ana Carolina Rocha, sofreu um grave acidente ao atravessar a rua fora da faixa de pedestres. A jovem, de 23 anos, conhecida no site de relacionamentos Twitter por Tchulim, ou @tchulimtchulim, foi atropelada por um ônibus em São Paulo, em um dia chuvoso. Ela ficou presa embaixo do veículo pelo quadril, sofreu várias lesões e teve uma grave hemorragia. Como se não bastasse, ela quebrou o braço esquerdo e o tornozelo, teve uma lesão na bexiga e precisou passar por cirurgias. Para isso, utilizou várias bolsas de sangue. Foi aí que ela percebeu a importância da doação.

Para o Ministério da Saúde, o ideal é que o Brasil recolha quase seis milhões de bolsas de sangue por ano, porém, são coletadas apenas 3,5 milhões. Carolina sabia que precisava chamar amigos e parentes para repor as bolsas que foram utilizadas em sua cirurgia. Ela e a jornalista Ana Carolina Moreno, a @anarina do Twitter, então tiveram a idéia de usar a internet para estimular a solidariedade.

A jornalista foi até o hospital onde Carolina está e decidiu gravar um vídeo. “Quando minha amiga veio, a ideia era utilizar as nossas redes para compartilhar a divulgação”, explica. Mas, assim que o vídeo ficou pronto, amigos das duas fizeram um tumblr, uma espécie de blog, e a iniciativa acabou virando campanha aberta na web: “Vai, doa!”. Todos os amigos de Carolina possuem perfis em redes sociais e exercerem influência através deles. Só Carolina, por exemplo, possui mais de 17.400 seguidores no Twitter. “E nada mais justo que usarmos isso para fazer a ação de doação!”, antecipa.

Por causa do acidente, Carolina se sentiu sensibilizada a colaborar com a vida até de quem ela não conhece. “Percebi que pessoas que nunca vi salvaram minha vida. Me tornei muito mais grata do que já era e aprendi a nunca mais atravessar fora da faixa (risos)”. Ela ainda está no hospital. Mas, apesar de sofrer com as dores e ainda estar em fase de recuperação, a jovem não desanima e aproveita pra deixar um recado: “independente do que acontecer na sua vida, por pior que pareça, sempre vai ter algo de positivo. Se apegue a isso. Você pode fazer a diferença, salvar uma vida, e isso não demora mais que 30 minutos”.


SAIBA MAIS:
- Twitter da campanha: @vaidoa
- Sobre o acidente da Tchulim: http://www.tchulim.com.br/2011/08/o-acidente/#more-109


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Veículo: Site da campanha sul-americana Vida por Vidas, de doação de sangue.


Data da publicação original: 14/09/2011.


As cigarras também fazem xixi


Se existe uma melodia que faz parte do verão essa com certeza é o canto da cigarra. O som emitido por esse inseto pode ser comparado ao barulho de uma britadeira, já que ambos podem atingir facilmente 120 decibéis e alcançar até um quilômetro de distância.

Na verdade, o som – entoado principalmente nas horas mais quentes do dia – é produzido no abdome da cigarra macho, que canta na tentativa de atrair uma fêmea para o acasalamento. Além disso, por ser tão forte, o canto também serve para repelir predadores, como pássaros, que possuem audição muito sensível. Com dificuldades de ouvir perfeitamente, as aves predadoras acabam se afastando dos insetos cantores.


Mas não é somente o canto que caracteriza as cigarras. É muito comum, ao aproveitarmos as sombras oferecidas pelas árvores no verão, sentirmos respingos, gotículas que saem das árvores. Na verdade, o líquido é proveniente das cigarras, que se alimentam de grande quantidade de seiva das árvores. Por isso, devido às características do organismo desses insetos, a parte líquida desnecessária para sua sobrevivência é expelida em forma de gotas pouco tempo após ser aspirada, é como se a cigarra estivesse fazendo xixi ao ar livre.

Esse líquido só é excretado pelas cigarras porque é desprovido de aminoácidos, nutriente necessário para o crescimento. Mas, por outro lado, por ser rico em açúcares, acaba servindo de alimento para as formigas.

Abaixo, veja o ciclo de vida de uma cigarra.




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Veículo: Portal da Educação Adventista no Brasil.

O caminho pra solução

Receber ameaças ou sofrer algum tipo de violência, seja ela psicológica ou física, não é fácil, assim como não é fácil tentar colocar um ponto final nas agressões. O agressor, geralmente, é alguém próximo à vítima: um familiar, patrão ou colega de classe. Por isso, dependendo da relação que se tem com quem agride, denunciar pode custar um alto preço. “A filha que denuncia o pai compromete o sustento da família, a funcionária que denuncia o patrão compromete seu emprego, a criança que denuncia o coleguinha da classe compromete sua reputação”, explica a psicóloga Karyne Lira.

Por esses motivos e outros mais graves, como o risco de morte para o denunciante caso a acusação seja efetuada, frequentemente o agredido sofre de medo e ansiedade. Mas, ainda assim e apesar do medo, denunciar é a atitude mais segura no combate à violência. “É através da denúncia que podemos acionar os órgãos competentes que irão investigar se está ocorrendo algum tipo de abuso. É somente com a denúncia que temos a chance de ajudar”, assegura Sônia Pandolfo, diretora do Departamento de Promoção Social de Artur Nogueira, interior de São Paulo.

Sônia garante que os órgãos públicos estão aptos para encaminhar a denúncia para o departamento ideal para que ela seja devidamente apurada sem que a identidade do denunciante seja informada. “O sigilo absoluto é garantido. Não importa se a denúncia é feita pessoalmente, numa delegacia ou conselho tutelar, ou por telefone; a pessoa que denuncia tem o sigilo garantido por direito”, afirma.

No Brasil, existe a opção de denunciar anonimamente e de graça. É o Disque-Denúncia, um serviço centralizado que permite qualquer pessoa fornecer à polícia informações sobre delitos e formas de violência por meio do número é 181. Nesse link, outro meio disponível para a realização de denuncias, é possível solicitar que funcionários do Departamento de Trânsito, policiais civis ou militares, por exemplo, sejam investigados. “Todas as denúncias encaminhadas à Polícia Civil provenientes do Disque Denúncia são distribuídas e acompanhadas pelas autoridades dos órgãos competentes do poder público para que uma resposta seja apresentada ao interessado”, acrescenta o delegado José Geraldo da Silva, professor universitário e da Academia de Polícia Civil de São Paulo.

O delegado ainda esclarece que, no caso de a denúncia ser comprovada pela Polícia Civil, “o infrator responderá segundo os critérios estabelecidos no Código de Processo Penal”. Ou seja, além de a autoridade policial poder requerer a prisão preventiva do indiciado e solicitar que medidas de proteção sejam tomadas em relação à vítima, também poderá ser instaurado um Inquérito Policial ou aplicado o Termo Circunstanciado de Ocorrência, que é o registro de crimes de menor gravidade e que tem a pena máxima dois anos de prisão ou multa.

No entanto, o sofrimento da vítima nem sempre se dissipa rapidamente após o ato da denúncia. O apoio da família, amigos, comunidade religiosa, assim como a participação em grupos terapêuticos e consultas a profissionais especializados são algumas das medidas que ajudam na superação dos traumas causados pela violência. “É necessário que aquele que denunciou receba apoio e conforto, para administrar da melhor maneira possível as consequências de se tomar a decisão correta: quebrar o silêncio”, incentiva Karyne. “Aquele que enfrenta o contexto de violência precisa estabelecer vínculos em que sinta confiança e segurança para que esteja à vontade para expor o que sente e, desta forma, reconstruir sua autoestima e ser orientado a encarar o futuro de forma positiva, com esperança e expectativas de que as coisas podem ser melhores”, conclui a psicóloga.


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Veículo: Portal Quebrando o Silêncio.


Data da publicação original: 31/08/2011.


De geração em geração

O papel dos avós na transmissão de valores para os netos e a contribuição dos mais experientes para o futuro da igreja

Durante quatro anos de sua infância, a estudante Aline Stainsack viu seu avô lutar contra o câncer. Ela lembra que mesmo nos momentos mais difíceis, nunca o ouviu reclamando ou culpando a Deus por causa da doença. Ao invés disso, ela guarda a recordação de ouvi-lo cantando o hino Contemplai as Searas Maduras (HA 331) e agradecendo a Deus pelas bênçãos recebidas. O avô de Aline faleceu quando ela tinha oito anos e uma pergunta custou a ser respondida em sua mente infantil: “mas, que bênçãos?” “Algum tempo depois, pude entender que as bênçãos as quais meu avô se referia eram o privilégio de conhecer a Cristo, ver a família na igreja e ter a esperança de se encontrar conosco no Céu”.

Aline se diz privilegiada por ter avós que transmitiram valores religiosos de maneira intencional: “Meus avós maternos sempre foram muito dependentes de Deus e ensinaram a mim, a meu irmão e a meus primos, o valor dessa dependência. A certeza que minha avó tem de que todo o sofrimento vai acabar, e de que um dia estaremos reunidos no céu, nos move a buscar a salvação.”

De avós para netos

A psicogerontóloga Ana Elisa Sena Klein, explica que essa ligação entre avós e netos se aproxima muito do sentimento de paternidade. Para a fisioterapeuta e mestranda em Gerontologia pela PUC-SP, o relacionamento íntimo entre as gerações não deve fazer com que os mais velhos substituam o papel dos pais, mas que os patriarcas influenciem de maneira consciente e saudável a estruturação psíquica da criança. “É por isso que a estrutura familiar ainda é um lugar privilegiado para que o indivíduo se transforme em um ser plenamente desenvolvido”, sintetiza.

Dessa forma, ainda que o modelo tradicional de família seja visto como algo ultrapassado na sociedade contemporânea, ele é fundamental para o desenvolvimento saudável da espiritualidade dos mais jovens, geração responsável pela preservação do legado cultural e religioso da família e pelo futuro da igreja.

Prova disso, segundo Ana Elisa, é que na medida em que o tempo passa, tudo o que foi ensinado durante a infância ganha mais importância na vida dos jovens. O mecanismo é óbvio. A geração atual utiliza o exemplo recebido dos pais – que por sua vez foram moldados pelos avós – para educar seus próprios filhos.

Nesse contexto, os avós são modelo para seus descendentes e fontes vitais de encorajamento e instrução, como no caso de Aline. Quando criança, sua timidez a levava ao isolamento social, mas seus avós a ensinaram que Jesus podia ser seu melhor amigo. “Eles buscavam me mostrar que, se eu pedisse e aceitasse a amizade de Jesus, Ele seria meu amigo. E se eu tivesse Cristo ao meu lado, não precisaria depender de ninguém, apenas dEle”, pontua.


Velhice e religiosidade

Outra contribuição dos avós para os netos adventistas é o exemplo de vida devocional. De acordo com Ana Elisa, as práticas devocionais dos idosos são mais frequentes, tendem a ter um apego maior a fé por causa da maior consciência de sua finitude. Além disso, servem de pontes entre passado, presente e futuro, transmitindo a religião e o aprendizado da vida como um patrimônio, uma herança com grande significado afetivo e carga saudosista. “Dessa forma, netos se tornam ouvintes e testemunhas do legado religioso transmitido pelos mais velhos”, completa a especialista.

Mas não é só a consciência de que as coisas são passageiras que promove união familiar. A religião também estimula o fortalecimento de laços afetivos, porque torna a busca coletiva por crescimento espiritual um elo unificador dos parentes. Em lares, por exemplo, em que a Bíblia é estudada em conjunto, grande contribuição é dada para a formação do caráter dos mais jovens. É o que nota a estudante Wanessa de Azevedo, membro da quinta geração de adventistas de sua família. A jovem – neta do pastor Elias Reis de Azevedo, ícone de um período da música adventista brasileira, e da cantora Zilda de Azevedo, conhecida pelas inúmeras canções infantis que gravou – conta que desde sua infância seus avós prezaram pelo exemplo cristão.

“Meus avós sempre transmitiram ensinamentos bíblicos, realizando cultos em casa e me levando para a Escola Sabatina na igreja, onde minha avó contava histórias e cantava”. Para ela, é essa influência, assim como a educação dada por seus pais, que serve como base para o desenvolvimento da vida adulta. Por isso, ela e o irmão cresceram repetindo hábitos dos avós, e entendem a importância da Palavra e do amor de Deus.

O Brasil está mais velho

Refletir sobre o papel dos avós e idosos para o futuro da igreja, ganha mais importância ao lembrar que o Brasil está envelhecendo. A combinação de queda da taxa de natalidade e maior expectativa de vida, deve fazer do País a sexta nação com maior número de idosos até 2025, segundo o IBGE. Só para se ter uma ideia, hoje os brasileiros com mais de 65 anos, já somam 14 milhões de pessoas, ou 7,4% da população.

Esses números, segundo a assistente social aposentada e mestre em Gerontologia pela PUC-SP, Rode Tavares, desafiam a igreja e a sociedade em geral a lidar com a terceira idade. Para ela, que também atua no ministério do idoso da sua igreja em Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo, o ser humano tem dificuldade de conviver com os mais velhos, porque não aceita a velhice.

Rode acredita que ao não valorizar os idosos, com seu acúmulo de experiências, a sociedade atual, por pensar apenas no presente, está simplesmente ignorando seu passado com o risco de comprometer o futuro. “Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos. E, se os adultos não sabem lidar com a velhice, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha”, alerta.

O que a igreja pode fazer?

No contexto da Igreja Adventista, Rode defende que é preciso haver mais conhecimento sobre as peculiaridades dessa fase da vida. “Devemos compreender o idoso como um ser vivo, pensante, racional, um cristão que também almeja a volta de Jesus, mas que possui suas próprias especificidades, suas possibilidades e limitações”, afirma. E não são poucos os adventistas nesta faixa etária. Segundo o relatório de setembro da sede administrativa sul-americana, cerca de 180 mil membros têm mais de 60 anos, o que significa 13,8% dos mais de 1,3 milhão de adventistas brasileiros.

A gerontologista explica que é necessário aumentar os momentos de contato e interação com os idosos, tanto individualmente, como em diversas atividades coletivas. “Isto vai resultar no desenvolvimento gradual do idoso e no desenvolvimento de uma nova cultura sobre a velhice”, acrescenta. “Só assim será possível fazer da igreja um lugar atento à realidade social brasileira e agradável para os membros viverem sua velhice”, conclui.

Do passado para o futuro

Essas mudanças no cenário social dão à terceira idade oportunidade de dividir com seus descendentes, durante mais tempo, suas experiências. Até porque, hoje, os avós estão cada vez mais presentes na vida das crianças, alguns, inclusive, atuando como provedores do lar. “Isso constitui uma relação de dependência e proximidade, significa para o avô ou a avó um renascimento, em que são transmitidos valores éticos, morais, espirituais e culturais”, observa Ana Elisa.

Valores que foram transmitidos ao longo de gerações por famílias adventistas tradicionais. Esses lares deram para a igreja, educadores, músicos e pastores que colocam em prática o que aprenderam com seus antepassados. O pastor Sérgio Klein é um exemplo. Neto, sobrinho e filho de pastor, Klein viu no ministério o propósito para sua vida.

Entretanto, a história desse pastor não se construiu somente com base nas experiências de seus familiares. Para ele, a fé é acima de tudo uma questão de decisão individual: “saber que você tem uma história, exerce diferença significativa na vida e nos faz compreender muitas outras coisas. Mas não sou pastor por tradição, a fé é uma escolha individual.”

Sérgio conta que o exemplo dos mais velhos serve de inspiração para ele e seus filhos. Ele menciona o caso do pai, o pastor Nabor Rosa, que sofreu um derrame cerebral há alguns anos e, como sequela, fala com muita dificuldade. No entanto, Sérgio destaca que, ao pai orar, consegue pronunciar frases inteiras. “Os meus meninos vêem o avô falando direito quando ele está orando e entendem que a fé é algo importante e significativo”, pontua.

O pastor Harley Bleck, maestro e professor do curso de Educação Artística do Unasp, campus Engenheiro Coelho, também encontrou no convívio com os avós, inspiração para sua caminha cristã. “Ela foi uma referência de trabalho, dedicação e altruísmo. Lembro-me de um mendigo que religiosamente vinha à nossa casa para tomar sua sopinha, e ainda que estivesse muito ocupada, ela sempre o atendia bem”, recorda o testemunho da avó, Augusta Belz Bleck.

Harley ressalta que Dona Augusta assumiu o sacerdócio do lar e deixou um legado espiritual para toda a família: “Eu a perdi quando tinha 13 anos de idade, tempo suficiente para receber dela grandes influências. Dentre todas, destacaria o compromisso com a igreja e a pregação do evangelho através de uma vida abnegada e coerente.” Para ele, a vida de dedicação de sua avó é herança recebida do avô dela, Guilherme Belz, que, aos 54 anos, foi o primeiro no Brasil a reconhecer o sábado como dia separado por Deus para descanso e adoração, graças ao contato que teve com a mensagem adventista em Santa Catarina.

Histórias como essas mostram que apesar de a sociedade contemporânea cultuar a juventude e tratar o passado com certo desdém, o valor e a utilidade de um fiel cristão não é diminuído ou anulado por sua idade. Ao contrário, vovôs e vovós consagrados nunca foram tão necessários para inspirar as futuras gerações de adventistas, assim como Lóide serviu de exemplo para a vida e ministério de seu neto Timóteo (2Tm 1:5).

Para saber mais, acesse a página do Ministério do Idoso organizado pela sede administrativa paulistana da Igreja Adventista.



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Veículo: Revista Adventista.

Reportagem escrita por: Liana Feitosa, Raquel Derevecki e Suzaeny Lima.

Link da publicação: Revista Adventista, edição de dezembro de 2011 (http://www.cpb.com.br/htdocs/revistas/ra/2011/ra122011.pdf ).

Data da publicação original: Dezembro de 2011.