O caminho pra solução

Receber ameaças ou sofrer algum tipo de violência, seja ela psicológica ou física, não é fácil, assim como não é fácil tentar colocar um ponto final nas agressões. O agressor, geralmente, é alguém próximo à vítima: um familiar, patrão ou colega de classe. Por isso, dependendo da relação que se tem com quem agride, denunciar pode custar um alto preço. “A filha que denuncia o pai compromete o sustento da família, a funcionária que denuncia o patrão compromete seu emprego, a criança que denuncia o coleguinha da classe compromete sua reputação”, explica a psicóloga Karyne Lira.

Por esses motivos e outros mais graves, como o risco de morte para o denunciante caso a acusação seja efetuada, frequentemente o agredido sofre de medo e ansiedade. Mas, ainda assim e apesar do medo, denunciar é a atitude mais segura no combate à violência. “É através da denúncia que podemos acionar os órgãos competentes que irão investigar se está ocorrendo algum tipo de abuso. É somente com a denúncia que temos a chance de ajudar”, assegura Sônia Pandolfo, diretora do Departamento de Promoção Social de Artur Nogueira, interior de São Paulo.

Sônia garante que os órgãos públicos estão aptos para encaminhar a denúncia para o departamento ideal para que ela seja devidamente apurada sem que a identidade do denunciante seja informada. “O sigilo absoluto é garantido. Não importa se a denúncia é feita pessoalmente, numa delegacia ou conselho tutelar, ou por telefone; a pessoa que denuncia tem o sigilo garantido por direito”, afirma.

No Brasil, existe a opção de denunciar anonimamente e de graça. É o Disque-Denúncia, um serviço centralizado que permite qualquer pessoa fornecer à polícia informações sobre delitos e formas de violência por meio do número é 181. Nesse link, outro meio disponível para a realização de denuncias, é possível solicitar que funcionários do Departamento de Trânsito, policiais civis ou militares, por exemplo, sejam investigados. “Todas as denúncias encaminhadas à Polícia Civil provenientes do Disque Denúncia são distribuídas e acompanhadas pelas autoridades dos órgãos competentes do poder público para que uma resposta seja apresentada ao interessado”, acrescenta o delegado José Geraldo da Silva, professor universitário e da Academia de Polícia Civil de São Paulo.

O delegado ainda esclarece que, no caso de a denúncia ser comprovada pela Polícia Civil, “o infrator responderá segundo os critérios estabelecidos no Código de Processo Penal”. Ou seja, além de a autoridade policial poder requerer a prisão preventiva do indiciado e solicitar que medidas de proteção sejam tomadas em relação à vítima, também poderá ser instaurado um Inquérito Policial ou aplicado o Termo Circunstanciado de Ocorrência, que é o registro de crimes de menor gravidade e que tem a pena máxima dois anos de prisão ou multa.

No entanto, o sofrimento da vítima nem sempre se dissipa rapidamente após o ato da denúncia. O apoio da família, amigos, comunidade religiosa, assim como a participação em grupos terapêuticos e consultas a profissionais especializados são algumas das medidas que ajudam na superação dos traumas causados pela violência. “É necessário que aquele que denunciou receba apoio e conforto, para administrar da melhor maneira possível as consequências de se tomar a decisão correta: quebrar o silêncio”, incentiva Karyne. “Aquele que enfrenta o contexto de violência precisa estabelecer vínculos em que sinta confiança e segurança para que esteja à vontade para expor o que sente e, desta forma, reconstruir sua autoestima e ser orientado a encarar o futuro de forma positiva, com esperança e expectativas de que as coisas podem ser melhores”, conclui a psicóloga.


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Veículo: Portal Quebrando o Silêncio.


Data da publicação original: 31/08/2011.


De geração em geração

O papel dos avós na transmissão de valores para os netos e a contribuição dos mais experientes para o futuro da igreja

Durante quatro anos de sua infância, a estudante Aline Stainsack viu seu avô lutar contra o câncer. Ela lembra que mesmo nos momentos mais difíceis, nunca o ouviu reclamando ou culpando a Deus por causa da doença. Ao invés disso, ela guarda a recordação de ouvi-lo cantando o hino Contemplai as Searas Maduras (HA 331) e agradecendo a Deus pelas bênçãos recebidas. O avô de Aline faleceu quando ela tinha oito anos e uma pergunta custou a ser respondida em sua mente infantil: “mas, que bênçãos?” “Algum tempo depois, pude entender que as bênçãos as quais meu avô se referia eram o privilégio de conhecer a Cristo, ver a família na igreja e ter a esperança de se encontrar conosco no Céu”.

Aline se diz privilegiada por ter avós que transmitiram valores religiosos de maneira intencional: “Meus avós maternos sempre foram muito dependentes de Deus e ensinaram a mim, a meu irmão e a meus primos, o valor dessa dependência. A certeza que minha avó tem de que todo o sofrimento vai acabar, e de que um dia estaremos reunidos no céu, nos move a buscar a salvação.”

De avós para netos

A psicogerontóloga Ana Elisa Sena Klein, explica que essa ligação entre avós e netos se aproxima muito do sentimento de paternidade. Para a fisioterapeuta e mestranda em Gerontologia pela PUC-SP, o relacionamento íntimo entre as gerações não deve fazer com que os mais velhos substituam o papel dos pais, mas que os patriarcas influenciem de maneira consciente e saudável a estruturação psíquica da criança. “É por isso que a estrutura familiar ainda é um lugar privilegiado para que o indivíduo se transforme em um ser plenamente desenvolvido”, sintetiza.

Dessa forma, ainda que o modelo tradicional de família seja visto como algo ultrapassado na sociedade contemporânea, ele é fundamental para o desenvolvimento saudável da espiritualidade dos mais jovens, geração responsável pela preservação do legado cultural e religioso da família e pelo futuro da igreja.

Prova disso, segundo Ana Elisa, é que na medida em que o tempo passa, tudo o que foi ensinado durante a infância ganha mais importância na vida dos jovens. O mecanismo é óbvio. A geração atual utiliza o exemplo recebido dos pais – que por sua vez foram moldados pelos avós – para educar seus próprios filhos.

Nesse contexto, os avós são modelo para seus descendentes e fontes vitais de encorajamento e instrução, como no caso de Aline. Quando criança, sua timidez a levava ao isolamento social, mas seus avós a ensinaram que Jesus podia ser seu melhor amigo. “Eles buscavam me mostrar que, se eu pedisse e aceitasse a amizade de Jesus, Ele seria meu amigo. E se eu tivesse Cristo ao meu lado, não precisaria depender de ninguém, apenas dEle”, pontua.


Velhice e religiosidade

Outra contribuição dos avós para os netos adventistas é o exemplo de vida devocional. De acordo com Ana Elisa, as práticas devocionais dos idosos são mais frequentes, tendem a ter um apego maior a fé por causa da maior consciência de sua finitude. Além disso, servem de pontes entre passado, presente e futuro, transmitindo a religião e o aprendizado da vida como um patrimônio, uma herança com grande significado afetivo e carga saudosista. “Dessa forma, netos se tornam ouvintes e testemunhas do legado religioso transmitido pelos mais velhos”, completa a especialista.

Mas não é só a consciência de que as coisas são passageiras que promove união familiar. A religião também estimula o fortalecimento de laços afetivos, porque torna a busca coletiva por crescimento espiritual um elo unificador dos parentes. Em lares, por exemplo, em que a Bíblia é estudada em conjunto, grande contribuição é dada para a formação do caráter dos mais jovens. É o que nota a estudante Wanessa de Azevedo, membro da quinta geração de adventistas de sua família. A jovem – neta do pastor Elias Reis de Azevedo, ícone de um período da música adventista brasileira, e da cantora Zilda de Azevedo, conhecida pelas inúmeras canções infantis que gravou – conta que desde sua infância seus avós prezaram pelo exemplo cristão.

“Meus avós sempre transmitiram ensinamentos bíblicos, realizando cultos em casa e me levando para a Escola Sabatina na igreja, onde minha avó contava histórias e cantava”. Para ela, é essa influência, assim como a educação dada por seus pais, que serve como base para o desenvolvimento da vida adulta. Por isso, ela e o irmão cresceram repetindo hábitos dos avós, e entendem a importância da Palavra e do amor de Deus.

O Brasil está mais velho

Refletir sobre o papel dos avós e idosos para o futuro da igreja, ganha mais importância ao lembrar que o Brasil está envelhecendo. A combinação de queda da taxa de natalidade e maior expectativa de vida, deve fazer do País a sexta nação com maior número de idosos até 2025, segundo o IBGE. Só para se ter uma ideia, hoje os brasileiros com mais de 65 anos, já somam 14 milhões de pessoas, ou 7,4% da população.

Esses números, segundo a assistente social aposentada e mestre em Gerontologia pela PUC-SP, Rode Tavares, desafiam a igreja e a sociedade em geral a lidar com a terceira idade. Para ela, que também atua no ministério do idoso da sua igreja em Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo, o ser humano tem dificuldade de conviver com os mais velhos, porque não aceita a velhice.

Rode acredita que ao não valorizar os idosos, com seu acúmulo de experiências, a sociedade atual, por pensar apenas no presente, está simplesmente ignorando seu passado com o risco de comprometer o futuro. “Estamos, assim, armando uma cilada contra nós mesmos. E, se os adultos não sabem lidar com a velhice, não conseguem ensinar aos mais novos o respeito à geração mais velha”, alerta.

O que a igreja pode fazer?

No contexto da Igreja Adventista, Rode defende que é preciso haver mais conhecimento sobre as peculiaridades dessa fase da vida. “Devemos compreender o idoso como um ser vivo, pensante, racional, um cristão que também almeja a volta de Jesus, mas que possui suas próprias especificidades, suas possibilidades e limitações”, afirma. E não são poucos os adventistas nesta faixa etária. Segundo o relatório de setembro da sede administrativa sul-americana, cerca de 180 mil membros têm mais de 60 anos, o que significa 13,8% dos mais de 1,3 milhão de adventistas brasileiros.

A gerontologista explica que é necessário aumentar os momentos de contato e interação com os idosos, tanto individualmente, como em diversas atividades coletivas. “Isto vai resultar no desenvolvimento gradual do idoso e no desenvolvimento de uma nova cultura sobre a velhice”, acrescenta. “Só assim será possível fazer da igreja um lugar atento à realidade social brasileira e agradável para os membros viverem sua velhice”, conclui.

Do passado para o futuro

Essas mudanças no cenário social dão à terceira idade oportunidade de dividir com seus descendentes, durante mais tempo, suas experiências. Até porque, hoje, os avós estão cada vez mais presentes na vida das crianças, alguns, inclusive, atuando como provedores do lar. “Isso constitui uma relação de dependência e proximidade, significa para o avô ou a avó um renascimento, em que são transmitidos valores éticos, morais, espirituais e culturais”, observa Ana Elisa.

Valores que foram transmitidos ao longo de gerações por famílias adventistas tradicionais. Esses lares deram para a igreja, educadores, músicos e pastores que colocam em prática o que aprenderam com seus antepassados. O pastor Sérgio Klein é um exemplo. Neto, sobrinho e filho de pastor, Klein viu no ministério o propósito para sua vida.

Entretanto, a história desse pastor não se construiu somente com base nas experiências de seus familiares. Para ele, a fé é acima de tudo uma questão de decisão individual: “saber que você tem uma história, exerce diferença significativa na vida e nos faz compreender muitas outras coisas. Mas não sou pastor por tradição, a fé é uma escolha individual.”

Sérgio conta que o exemplo dos mais velhos serve de inspiração para ele e seus filhos. Ele menciona o caso do pai, o pastor Nabor Rosa, que sofreu um derrame cerebral há alguns anos e, como sequela, fala com muita dificuldade. No entanto, Sérgio destaca que, ao pai orar, consegue pronunciar frases inteiras. “Os meus meninos vêem o avô falando direito quando ele está orando e entendem que a fé é algo importante e significativo”, pontua.

O pastor Harley Bleck, maestro e professor do curso de Educação Artística do Unasp, campus Engenheiro Coelho, também encontrou no convívio com os avós, inspiração para sua caminha cristã. “Ela foi uma referência de trabalho, dedicação e altruísmo. Lembro-me de um mendigo que religiosamente vinha à nossa casa para tomar sua sopinha, e ainda que estivesse muito ocupada, ela sempre o atendia bem”, recorda o testemunho da avó, Augusta Belz Bleck.

Harley ressalta que Dona Augusta assumiu o sacerdócio do lar e deixou um legado espiritual para toda a família: “Eu a perdi quando tinha 13 anos de idade, tempo suficiente para receber dela grandes influências. Dentre todas, destacaria o compromisso com a igreja e a pregação do evangelho através de uma vida abnegada e coerente.” Para ele, a vida de dedicação de sua avó é herança recebida do avô dela, Guilherme Belz, que, aos 54 anos, foi o primeiro no Brasil a reconhecer o sábado como dia separado por Deus para descanso e adoração, graças ao contato que teve com a mensagem adventista em Santa Catarina.

Histórias como essas mostram que apesar de a sociedade contemporânea cultuar a juventude e tratar o passado com certo desdém, o valor e a utilidade de um fiel cristão não é diminuído ou anulado por sua idade. Ao contrário, vovôs e vovós consagrados nunca foram tão necessários para inspirar as futuras gerações de adventistas, assim como Lóide serviu de exemplo para a vida e ministério de seu neto Timóteo (2Tm 1:5).

Para saber mais, acesse a página do Ministério do Idoso organizado pela sede administrativa paulistana da Igreja Adventista.



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Veículo: Revista Adventista.

Reportagem escrita por: Liana Feitosa, Raquel Derevecki e Suzaeny Lima.

Link da publicação: Revista Adventista, edição de dezembro de 2011 (http://www.cpb.com.br/htdocs/revistas/ra/2011/ra122011.pdf ).

Data da publicação original: Dezembro de 2011.


Bullying: um velho conhecido

Provavelmente, esta não é a primeira vez que você, leitor, acompanha um texto cujo tema central é a palavra ‘bullying’. A palavra, que aparentemente virou modismo no Brasil, é largamente utilizada na Europa e nos Estados Unidos para definir ações intencionais de violência psicológica ou física. Para a psicóloga Karyne Lira o fato de, atualmente, o assunto receber tratamento tão intenso, principalmente pela mídia, pode até parecer que o tema é novidade. No entando, não é de hoje que a expressão faz parte do cotidiano da sociedade brasileira. Nos dicionários da Língua Portuguesa, a palavra ‘bulir’ significa mexer, tocar, incomodar, aborrecer, provocar; compreensões próximas daquilo que entendemos por bullying.

Para o sociólogo Daniel Rodrigues Aurélio, não é prudente afirmar que os meios de comunicação têm estimulado a prática do bullying devido à sua intensa cobertura sobre o assunto. Para exemplificar, o sociólogo compara a exploração deste tema com a cobertura sobre casos de corrupção na política nacional. Não é que os políticos se tornaram mais corruptos nos últimos anos, segundo ele. “O que aconteceu foi que as denúncias estão cada vez mais presentes na imprensa”, completa. E, em se tratando da exploração do tema bullying, a realidade para o sociólogo é parecida: acontecimentos que, antes, eram guardados como segredo, hoje ganham o conhecimento do público.

Comportamento – Isso ocorre, inclusive, porque a sociedade atualmente vive um contexto mais flexível. “Temos uma maior abertura para informações e reflexões sobre o tema bullying que, de fato, tem despertado crescente atenção e preocupação, sobretudo em pais e educadores”, reflete Aurélio. Ou seja, a sociedade tem aberto espaço para discussões sobre temas que antes, muitas vezes, eram guardados como um segredo. A mesma opinião é compartilhada pela psicóloga. “Esse é um comportamento que já era comum na época de nossos pais e avós, mas que era nomeado de maneira diferente pelas pessoas das gerações passadas”, aponta Karyne.

Portanto, sendo um nome conhecido, ou não, atenção aos casos de violência nunca é demais. “A existência de uma terminologia não necessariamente indica uma definição clara e inquestionável sobre o que é a prática, quais seus limites ou como resolver a questão”, alerta Aurélio. Até porque existem outros tipos de violência que, como Karyne lembra, são tão impactantes quanto o bullying. A psicóloga adverte que casos de humilhação e coação contra calouros em universidades, assim como o assédio moral, muito frequente em empresas, devem ser igualmente combatidos. Estas práticas em sua essência se assemelham ao bullying, mas por não receberem esse nome são, muitas vezes, toleradas.

“O que precisa ser trabalhado é a sensibilização do outro, e não simplesmente a divulgação do que é bullying”, propõe a psicóloga Aline Zeeberg. “É preciso encorajar o autor a pedir desculpas, a colocar-se no lugar do outro, trabalhar sua própria autoestima”, salienta. E não somente isso. Aline ainda repreende aqueles que não se manifestam ao tomarem conhecimento de que um colega sofre violência. “Aqueles que assistem, os espectadores, também devem ser sensibilizados, ou seja, devem ser de alguma forma responsabilizados pelo que vêem e não denunciam, e não apenas serem indiferentes”, defende.


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Veículo: Portal Quebrando o Silêncio.




Brasileiro tem memória?


Não sei se é generalizar demais afirmar que todos nós, brasileiros, muitas vezes nos esquecemos da onde viemos. (Na verdade, acho que é, mas arrisco continuar). Não me refiro à origem da nossa família ou à luta de nossos pais na busca pela melhoria da qualidade de vida da chamada classe média. Falo do começo de tudo, da época da formação dos povos dessas terras tropicais há mais de 1.500 anos. Será que mantemos acessível na memória nossas influências, misturas, heranças culturais que fazem de nós uma nação? Será que a mídia nos ajuda a lembrar, a pensar sobre isso?

O legado deixado por nossos colonizadores e pelos primeiros moradores dessas bandas de cá da América, continentais em tamanho, é, de fato, muito grande. Mas o assunto em questão, aqui, é herança racial. Ou, mais objetivamente, racismo.

Entre algumas coisas contraditórias, o sociólogo recifense Gilberto Freyre acerta quando apresenta o negro da época dos senhores de engenho como um colonizador. No livro Casa Grande & Senzala, o escritor se refere ao escravo como um ator de papel fundamental na criação da identidade brasileira, assim como os costumes portugueses e indígenas ajudaram na construção da nossa “personalidade” nacional.

Freyre lembra que o negro trouxe consigo, do continente africano, conhecimento culinário, religioso e de pecuária. Herdamos deles grande parte das nossas raízes musicais e folclóricas, e essa mistura foi imprescindível para a formação de uma nação culturalmente rica.

O autor deixa claro que as atitudes do negro não eram determinadas pela cor. O escravo podia ser taxado, sim, de desonesto, vulgar e mentiroso. Mas ele agia dessa forma porque era preso, vivia confinado, era torturado. Caso eu ou você, brancos ou amarelos, vivêssemos em iguais condições, certamente nossas reações à escravidão seriam as mesmas. (Freyre, p. 397)¹

Ora, só partindo dessa construção de raciocínio já seria óbvio pensar que preconceito racial é, racionalmente, algo inconcebível e sem lógica. Se uníssemos a isso outros motivos, de ordem política ou religiosa, por exemplo, só engrossaríamos os argumentos em favor da não discriminação. Mas esses discursos não parecem tão fáceis de serem encontrados na mídia. Em outros posts deste blog já falamos sobre o papel vital que os meios de comunicação desempenham na sociedade e sobre a força de influência que têm sobre as pessoas.

Porém, talvez a mídia não esteja usando como (ou o quanto) deveria esse poder a favor da pregação da igualdade entre as raças. E por quê? Simples: os próprios produtos que a mídia cria reforçam velhas ideias preconceituosas.

Pense rapidamente: quantas vezes você em uma novela o pobre, marginal ou drogado sendo interpretado por uma pessoa branca? (Aposto que pouquíssimas!) Não vale as vezes em que o rico, personagem principal, se envolve com trambiqueiros... E o que me você me diz do símbolo da sensualidade representado pela bela mulata da escola de samba? É praticamente um “produto” sexual pronto para ser exportado mundialmente (que, convenhamos, já é há muito tempo). Como se não existe outra infinidade de belezas nesse Brasil de meu Deus a serem mostradas mundo afora.

E o que dizer das peças publicitárias, nem importa sobre o quê, onde só aparecem brancos aparentemente felizes, bem-sucedidos e satisfeitos com o produto apresentado na propaganda? Inclusive, recentemente, o governo federal – por meio a secretaria de Igualdade Racial da Presidência da República – moveu uma ação na justiça para reclamar a inexistência de negros na campanha publicitária da fralda Serenata, da Turma da Mônica.

Não há crime na não-presença de negros em propagandas. Nem é essa a questão. O problema é a associação do negro a estereótipos negativos e a retratação inadequada, ou melhor, distorcida da realidade brasileira. Explico.

A população brasileira não é formada por maioria branca. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) indicam que 6,3% dos brasileiros são pretos e 43,2% são pardos (para o governo, pardos são considerados negros). Se levarmos em conta os índices referentes aos amarelos e aos indígenas, o resultado da soma de todas as pessoas negras é superior ao número de brancos brasileiros. Essas informações foram apresentadas na Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, elaborada em 2006. O documento confirma:

No que diz respeito à distribuição por cor da população, pode-se verificar uma considerável queda no percentual de participação da população branca, a que, pela primeira vez nas duas décadas de levantamentos estatísticos sistemáticos por pesquisas amostrais, não alcança a 50% da população total.²

Mas, se a maioria é não é branca, porque a mídia não reflete isso? Como acabei de mencionar texto acima, cadê as propagandas com negros? Afinal, negros também consomem! Negros fazem compras! O racismo no Brasil existe e é velado.

Em um estudo realizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), verificou-se que, entre dezembro de 2005 e fevereiro de 2006, apenas 7,3% das pessoas presentes nas propagandas publicadas nos jornais paranaenses eram negras. Em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, o psicólogo e pesquisador Paulo Baptista da Silva, orientador do levantamento, afirmou que, na publicidade, “a figura do branco é [ligada] à norma de humanidade, ao belo. Já a imagem do negro aparece como sinônimo de feio e primitivo.” (Clique aqui para ler a matéria na íntegra.)

É fácil encontrar na mídia representações do negro como trabalhador braçal (doméstica, pedreiro, operário), mas é muito difícil encontrar negros representados em posições valorizadas ou de destaque como empresários ou pessoas bem-sucedidas.

E, então, estou generalizando ao afirmar que nós, brasileiros, muitas vezes nos esquecemos da onde viemos?

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Referências:

1 - FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime da economia patriarcal. 51ª ed.rev. São Paulo: Global, 2006.

2 - Clique aqui para ler a Síntese dos Indicadores Sociais do IBGE (2006).

- Também foi utilizado como fonte de pesquisa para a elaboração deste texto:
HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 26ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Entrevista: Primeiros passos

Uma das atividades mais básicas do jornalista é unir informações soltas e transformá-las em material que seja claro, rico e que, ao mesmo tempo, possa ser compreendido por qualquer pessoa independente do grau de instrução. Porém, na prática, nem tudo é tão fácil como na teoria. Cada área do jornalismo possui desafios que devem ser, diariamente, superados.

Na entrevista, a jornalista carioca Eliane Cantanhêde fala sobre os desafios que cercam a cobertura jornalística de assuntos políticos – principalmente para quem está começando a carreira. A primeira vez que ela teve contato com a prática jornalística foi em 1972 quando ainda cursava o 2º ano de Jornalismo na Universidade de Brasília (UnB). Esse ano marcou o início de suas aventuras como estagiária. Depois de 38 anos de profissão, somou experiências como repórter da revista Veja, colunista do Jornal do Brasil e do Estado de S. Paulo, além de ser diretora de redação das sucursais de O Globo, Gazeta Mercantil e da Folha de S. Paulo em Brasília. Desde 1997 a jornalista é colunista fixa da Folha nas versões impressa e online, onde escreve sobre política interna e externa, área social e comportamento.

A conversa sobre jornalismo em uma quente tarde de segunda-feira. Simpaticíssima e descontraída, apesar da impessoalidade do telefone, Eliane disse gostar de falar a estudantes, já que foi na faculdade onde “se encontrou” profissionalmente. Ela estava na redação da Folha quando respondeu às perguntas da repórter.

1 - Quais são os maiores desafios para fazer Jornalismo Político?

É ter fontes próximas o suficiente para te dar uma boa informação, mas longe o suficiente para você não ser contaminada e não tomar partido. É preciso equilíbrio. Estar pertinho para saber das coisas, mas sem se envolver.

2 – Você estipulou limites em relação ao envolvimento com suas fontes políticas?

Eu conheço fontes de todos os partidos, de todas as tendências, de todas as gerações. Mas eu não tenho vínculos com lado nenhum, com fonte nenhuma, partido nenhum. É claro que somos pessoas humanas. Têm pessoas com quem eu gosto mais de conversar e tem pessoas que eu gosto menos. Mas não deixo que isso interfira na minha capacidade de analisar e informar. E a gente aprende isso com a experiência.

3 – Como não ser enganado pelo discurso político?

Esse é o grande pulo-do-gato. Quando você fica um repórter um pouco mais experiente, você colhe a declaração e contextualiza. Quando você fica mais experiente ainda - como acontece comigo, que trabalho com opinião - mais do que a frase, me interessa o porquê que aquela frase foi dita e como eu enxergo o que foi dito. Porque eu tenho que conhecer o personagem, os interesses daquele personagem, as alianças dele pra saber não o que ele disse, mas porquê ele disse.

4 – Que características um jornalista que cobre política precisa ter. Habilidades, afinidades?

Primeiro: a cobertura política não é cartesiana. Em política, dois mais dois nem sempre são quatro. Então você precisa ler muito, ter uma boa capacidade de interpretação de texto e de fala, você precisa conhecer os personagens [os políticos] acompanhar o noticiário, não só o nacional, mas o dos estados também. E precisa ser muito, muito curioso. Tem que querer entender o que tá por trás das coisas e tentar projetar o que vai acontecer [depois] daquela reunião, daquela frase, daquele discurso. E as conseqüências dessas coisas todas.

5 – Para um estudante de jornalismo que deseja investir nessa especialidade, por onde começar? Com quem falar, que livros ler, que hábitos ter?

Coisa mais importante do mundo: gostar de ler jornal, revista, ouvir rádio e assistir aos principais telejornais do País – além de programas de TV, também. Tem uns [programas de TV] muito bons como o Roda Viva, por exemplo. Dessas coisas você tem que gostar mais do que da internet. Consultar a internet é bom, mas deturpa muito. Cada um escreve o que bem entende lá. No jornal [impresso], quem escreve é fiscalizado, você é cobrado pelo que escreve. Então eu sugiro que o jovem estudante leia jornal, leia revistas.

Além disso, tem outras coisas básicas como conhecer a história e a geografia brasileira, da América do Sul, da América Latina, do mundo. Quando fiz meu curso [de Jornalismo], por iniciativa própria estudei um pouco de Introdução ao Direito, Introdução às Relações Internacionais, Introdução à Economia e sempre estudei línguas. Você tem que ter uma visão geral, precisa saber ler um artigo da Constituição, precisa ter uma noção da área de Economia. E precisa entender que o Brasil não tá perdido no mundo, ele está inserido num todo.

Objeto de decoração

Se existe uma ferramenta publicitária que dificilmente cairá de moda é o emprego da imagem da mulher como mecanismo de propaganda, uma utilização do corpo e da figura feminina como objeto. Etimologicamente, transformar ou tratar como coisa algo que não é, significa “reificação”, prática existente desde que o mundo é mundo.

O fato é que, na mídia, o termo pode ser facilmente empregado quando o assunto é estimular o consumo através das curvas de uma bela jovem. Para Karl Marx, o famoso economista e sociólogo que deu origem ao marxismo, reificação é o ato de “apresentar o ser humano como objeto físico privado de qualidades pessoais ou de individualidade”. Ora, a presença de moças em propaganda de cerveja, por exemplo, facilmente se encaixa nessa definição. A atribuição da conquista ou, porque não, da compra à feminilidade; transforma apenas em aparência e sensualidade todo o aspecto abstrato e complexo que é pertencer ao sexo feminino.

Embora, no marxismo, a definição de “reificar” faça alusão ao modo de produção capitalista, é possível utilizar esse significado também nas relações sociais tanto de ordem sentimental, como mercadológica. Com a tão falada luta pela igualdade entre os sexos e com o estabelecimento da mulher no cenário global como pessoa de negócios e, ao mesmo tempo, como chefe do lar; parece que se tornou ultrapassado o desejo de ter um parceiro que a ofereça segurança e amor. É como se, assim como um carro de luxo, as mulheres devessem ser adquiridas - e não conquistadas - de acordo com suas características pessoais: quanto mais agrada as vontades do comprador e quanto menos usado está o veículo, mais valioso é o produto.

Porém, apesar dessa sociedade pós-moderna e individualista, as mulheres não são como carros de luxo. Ao contrário, elas ainda querem ver realizado um velho sonho: ter estabilidade emocional – desejo cada vez mais difícil de ser concretizado uma vez que falta às mulheres autovalorização e respeito, e aos homens menos apego às características exteriores da beleza feminina. Uma mistura que, quando ocorre, resulta em casamentos desfeitos como trocas de mercadorias em lojas e a destruição de famílias apegadas à fantasia de ter uma vida como às de cinema.

Parece que as pessoas não sabem (ou esquecem) que o mundo perfeito criado pela mídia, recheado de rostos impecáveis, corpos esculturais e sem imperfeições, nada mais é que resultado de recursos tecnológicos. Recursos esses, não de saúde, mas de computador. Programas de informática, como o photoshop, que criam uma atmosfera de encanto, mas que, na maioria das vezes, não passa de fruto da imaginação humana, infelizmente.

Foi para tentar “acabar com a idealização do corpo humano pela publicidade e com a difusão da ideia de que as modelos e os modelos retratados são perfeitos”, o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) criou o Projeto de Lei 6853/10. Em tramitação na Câmara dos Deputados, iniciativa pretende tornar obrigatória a presença de um aviso informando que recursos de edição foram utilizados na foto caso a imagem tenha passado por manipulação. No descumprimento da “Lei do Photoshop”, como o projeto ficou conhecido no Brasil, a multa pode variar entre R$ 1,5 mil e R$ 50 mil.

Em alguns países europeus, como França e Reino Unido, a discussão também já foi levantada. Lá, o projeto que, como no Brasil, ainda não foi aprovado, prevê um anúncio no rodapé da imagem evidenciando que foto passou por tratamento, como no exemplo: “Esta imagem foi modificada digitalmente e pode não corresponder à realidade”.

O fato é que, submetida a pequenos retoques, ou não, a mídia sempre acaba interferindo na vida real causando consequências mais do que reais. A capixaba Sheyla Almeida Hershey, de 30 anos, sonhava em ganhar fama e conhecimento. Alcançou seu objetivo após se submeter a cirurgias para aumentar o busto. Com o feito, foi considerada a mulher com as maiores próteses de silicone do mundo por causa dos cinco litros e meio de silicone que chegou a ter em cada mama. Porém, recentemente, por causa de uma nova cirurgia, a modelo sofreu uma grave infecção bacteriana nos seios e passou a correr risco de morte.

Qual o preço do sucesso? Quanto as pessoas estão dispostas a pagar para estarem na mídia? Ou, melhor, qual o preço que nós, enquanto sociedade, estamos pagando por causa das “leis midiáticas” sobre o que é belo, sexy ou cool? Não pode ser normal meninas ricas morrerem de inanição porque acham que estão acima do peso. Não é possível ser natural garotas tirarem a roupa e exporem seu corpo em nome de um produto “louro e gelado” que embebeda e aniquila lares inteiros. Mas essa é nossa realidade, infelizmente.

Educação moderninha


A Constituição Federal Brasileira diz, no artigo 205, que a educação é um “direito de todos e dever do Estado e da família”. A sociedade, nesse caso, tem somente a responsabilidade de incentivar o oferecimento de boa educação. Além disso, no artigo 220, inciso II, fica claro que também é dever do Estado “estabelecer meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão” que vão contra o respeito ético e social da pessoa e da família. No artigo seguinte, o 221, a Constituição detalha que os veículos de comunicação devem proporcionar à sociedade um tipo de programação que valorize fins educativos, artísticos, culturais e jornalísticos.

Mas, se é dever do Estado e da família oferecer educação (tanto a formal como a social), porque as crianças têm sido educadas pela mídia? Bom, se você, caro leitor, não acredita que os pequenos estão recebendo “ensinamentos” demais dos veículos de comunicação, vamos a alguns dados.

De acordo com a pesquisa Norton Online Living Report, realizada por uma empresa especializada em Ciência da Computação - a Symantec - com sede nos Estados Unidos, jovens e crianças do Brasil gastam todo mês, em média, 70 horas na internet.¹ Ou seja, brasileiros entre 8 e 17 anos são os internautas que ficam mais tempo online. Será que essas crianças passam o equivalente de horas em um simples relacionamento presencial com seus pais ou amigos?

Outro estudo, mas esse realizado pela Universidade de Duke, Estados Unidos, mostrou que o desempenho de jovens internautas em avaliações de matemática e leitura é significantemente inferior se comparado com os alunos que não possuem computador em casa. A pesquisa, que levou 5 anos para ser concluída, analisou mais de 150 mil alunos da Carolina do Norte (EUA) de 5ª à 8ª série do ensino fundamental.²

Isso porque estamos falando somente da internet. E a televisão, o meio de comunicação mais popular do Brasil?³ O jornalista Michelson Borges em seu livro “Nos bastidores da mídia” mostra uma pesquisa feita em 1999 pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística). No estudo, as 10 atrações televisivas mais vistas por crianças e adolescentes entre 2 e 14 anos eram, na verdade, destinadas aos adultos.4

Mas os números não param por aqui. Uma pesquisa divulgada no último dia 11 de outubro, produzida pela Universidade de Bristol, na Inglaterra, verificou que crianças que passavam mais de duas horas por dia assistindo TV ou jogando no computador tem 60% mais risco de ter problemas psicológicos. Os analisados, de 10 e 11 anos de idade, mostraram ter mais chance de serem hiperativos ou de desenvolver problemas emocionais e de relacionamento. Ao todo, o comportamento de 1.013 crianças foi acompanhado no estudo publicado na revista especializada Pediatrics.5

“É consenso que presenciamos um momento conturbado na atualidade. A História mundial vivencia um novo período [...]. Família, Estado, relacionamento, religião e educação, antes conceitos impermeáveis e rígidos, tornaram-se conceitos flexíveis e extremamente maleáveis, instáveis, pois só permanecem ‘vivos’ se contextualizados. Consumismo e individualismo são os parâmetros, os paradigmas da pós-modernidade.”6

Esse consumismo, citado acima e descrito pelo pesquisador Guilherme de Oliveira, é resultado, principalmente, de algo que já falamos aqui no blog: o capitalismo (clique aqui para ler o texto sobre mídia e capitalismo). Esse sistema deixa claro que nenhum dos “setores” da sociedade está livre do consumo, muito menos dos apelos para que ele continue existindo. Atender necessidades e desejos, no universo capitalista, faz parte de um processo que vai desde uma escolha muito bem pensada, até impulsos demasiadamente irracionais. E as crianças, consequentemente, também são alvo, já que fazem parte da sociedade.

Não é a toa que o mercado de produtos destinados às crianças está cada vez mais diversificado e amplo. Para comprovar, basta dar uns poucos passos em shopping centers. Mercado especializado e custoso, claro. Afinal, pais e mães querem garantir o melhor pros filhos e, muitas vezes, se privam de comprar para si para constantemente presentear seus “anjinhos”.

Em meio ao turbilhão que é essa realidade, pais acabam cultivando alguns empregos para conseguir pagar as contas, que parecem nunca acabar. Assim, com menos tempo para educação familiar e os cuidados afetivos dentro de casa, as crianças passam a ser educadas por uma sociedade cada vez mais digital, midiatizada, tecnológica. E a responsabilidade da instrução vai parar nas mãos daqueles que não têm a responsabilidade – e nem podem ter – por tão importante cargo.

Para a jornalista Sofia Costa, o perigo mora, na verdade, no fato de a maior parte do público acreditar que aquilo que é veiculado na televisão é o que realmente aconteceu. Até porque os meios de comunicação são os mediadores entre informação e público.

A questão que fica, então, (e que não calar) é se nós, comunicadores, estamos desempenhando nosso papel social no oferecimento de programação de qualidade. E quando família e Estado, de uma vez por todas, vão entender que educação vem de casa, de berço e - em última estância - da escola; e não de telas touch screen de última geração?

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Referências:

1 – As crianças brasileiras superam o restante do mundo quando o assunto é tempo gasto navegando na internet. Clique aqui para ler mais detalhes sobre a pesquisa.

2 - “Crianças com computador em casa têm pior desempenho escolar, diz estudo”. Clique aqui para ler sobre o tema na íntegra.

3 - Aparelhos de TV estão presentes em 95% das casas brasileiras, aponta IBGE. Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

4 – Pesquisa realizada pelo Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) citada no livro Nos Bastidores da Mídia, de Michelson Borges, página 46. Editora: Casa Publicadora Brasileira.

5 – “TV e computador em excesso faz mal a crianças”. Clique aqui para ler mais sobre a pesquisa.

6 – Artigo científico: “Minha mãe é a TV”: a mídia no lugar do Grande Outro” – Por Guilherme Reolon de Oliveira, graduando em Comunicação Social (Jornalismo) na Universidade de Caxias do Sul (UCS) e em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É pesquisador de mídia e pós-modernidade. Disponível aqui.